Introdução
A depressão é um dos maiores problemas de saúde pública do mundo, devido à sua alta morbidade e mortalidade. A sua incidência é estimada em aproximadamente 17% da população mundial. Algumas das suas principais características são perda de peso, sentimento de culpa, ideação suicida, hipocondria, queixa de dores e, eventualmente, psicose. Esses sintomas são mais acentuados em idosos do que em jovens deprimidos e contribuem para declínio cognitivo e condicionamento cardiorrespiratório nessa faixa etária.
Envelhecimento Populacional em Portugal
Frazer et al.7 sugerem que, dentre outros métodos, a atividade física pode ser considerada eficaz no tratamento da depressão. Atividade física é qualquer movimento corporal produzido pelos músculos esqueléticos que resulta em gasto energético maior do que o dos níveis de repouso. Já o exercício é uma atividade física planeada, estruturada e repetitiva, que tem como objetivo final ou intermediário aumentar ou manter a saúde/aptidão física. Tanto a atividade quanto o exercício podem propiciar benefícios agudos e crônicos. São eles: melhora no condicionamento físico; diminuição da perda de massa óssea e muscular; aumento da força, coordenação e equilíbrio; redução da incapacidade funcional, da intensidade dos pensamentos negativos e das doenças físicas; e promoção da melhoria do bem estar e do humor. Entretanto, os efeitos da prática de atividades físicas sobre a depressão ainda são contraditórios. Alguns estudos associam modificações nos quadros de depressão como resultantes da prática de atividades10-12, enquanto outros trabalhos1,13 relacionam a prática mais frequente de atividades à própria melhora na gravidade do transtorno depressivo
Envelhecimento Populacional em Portugal
Nos dias de hoje, a população portuguesa apresenta, uma estrutura envelhecida. Nos últimos anos, tem-se vindo a observar um crescente envelhecimento da população, combinado com um decréscimo da população jovem e ativa (Caipiro, 2012). Este fenómeno deve-se, essencialmente, ao efeito conjunto da diminuição da taxa de natalidade, do contínuo aumento da esperança média de vida e de saldos migratórios moderados, os quais têm influênciado de forma decisiva as diversas estruturas demográficas regionais. Como consequência, verifica-se a alteração da estrutura etária da população nacional, sendo notório o envelhecimento demográfico (Caipiro, 2012; INE, 2013).
Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), em 2012, o padrão de envelhecimento da população, já observado nos últimos anos, mantém-se, em consequência do aumento do número de pessoas idosas e da redução da população jovem e em idade ativa (INE, 2013).
Processo de Envelhecimento
O Envelhecimento é definido como um conjunto de processos físico ou biológico, psicológico e social, que provocam alterações, ao longo do tempo, na capacidade dos indivíduos, influênciando a sua definição social (Fechine et al., 2012).
É um processo contínuo no qual a velhice está inserida, sendo compreendido como um procedimento que comporta um ciclo de vida que vai desde o nascimento até à morte (Moraes et al., 2011) e arrasta consigo modificações profundas no que concerne à normalidade social (Rocha, 2012).
A idade cronológica é o critério mais utilizado na definição do envelhecimento, contudo, é uma variável bruta e pouco precisa (Cancela, 2008; Rocha, 2012).
Apesar do envelhecimento ser um processo natural, universal e comum a todos os seres vivos, a forma como cada indivíduo envelhece é particular e única, tornando esse processo heterogéneo. Indivíduos da mesma idade cronológica podem estar em estágios diferentes de envelhecimento (Cancela, 2008). Os fatores genéticos, as condições ambientais e culturais podem explicar a forma distinta como cada pessoa envelhece (Cerqueira, 2010).
O Processo de envelhecimento está relacionado com o meio físico e social em que o indivíduo está inserido, e é um trajeto de degradação progressiva e diferencial com vários agentes que o influênciam. Assim sendo, o envelhecimento conduz a alterações a nível psicológico, nomeadamente no desempenho cognitivo, afetivo e social (Centro de estudos dos Povos e Culturas de Expressão Portuguesa, 2012; Cerqueira, 2010; Tavares, 2010).
Segundo a OMS, a terceira idade tem início entre os 60 e 65 anos, no entanto o processo de envelhecimento depende de fatores biológicos, psicológicos e sociais .(Cancela, 2008; Matsudo et al., 2000)
Neste sentido, o processo de envelhecimento apresenta três componentes: 1) Biológica, que reflete uma crescente vulnerabilidade e de onde resulta uma maior probabilidade de morrer; 2) Social, relativa às expectativas da sociedade para este nível etário, no que respeita aos seus papéis sociais; 3) Psicológica, definida pela capacidade que o indivíduo tem de auto-regulação face ao processo de senescência (Machado, 2003; Tavares, 2010).
Impacto do Envelhecimento no Organismo Humano
O envelhecimento pode ser entendido como um conjunto de alterações estruturais e funcionais do organismo que se acumulam de forma progressiva, podendo ocorrer diversos fatores morfológicos, psicológicos, hereditários, culturais, intelectuais, raciais e outros, que podem surgir mais cedo ou mais tarde nas pessoas que se situam nesta fase da vida (Fechine et al., 2012).
O processo do envelhecimento, do ponto de vista fisiológico, é marcado por uma diminuição das capacidades motoras, da flexibilidade, da força e da velocidade, dificultando a realização das atividades diárias e a manutenção de um estilo de vida saudável (Tribess et al., 2005).
Aptidão Física/Autonomia Funcional
Diversos autores têm definido a aptidão física como um estado dinâmico de energia e vitalidade que permita a cada indivíduo, não apenas a realização das atividades do quotidiano, mas também, demonstrar menor risco de desenvolver doenças ou condições crónico-degenerativas, associadas a baixos níveis de atividade física (Carvalho et al, 1995; Mantovani, 2007a). A aptidão física é, ainda, definida como um conjunto de características possuídas ou adquiridas por um indivíduo e que estão relacionadas com a capacidade de realizar atividades físicas, sendo estas “todo e qualquer movimento corporal produzido pela musculatura esquelética que resulta em gasto energético acima dos níveis de repouso” (Mantovani, 2007a, p.68).Contudo, a aptidão física não é determinada inteiramente pela atividade física. Existem outros fatores que interagem significativamente no seu processo de aquisição, tais como os ambientais, sociais e genéticos, a idade, a raça, o sexo e o nível social do indivíduo (Mantovani, 2007a).
O envelhecimento e a aptidão física relacionam-se de forma inversa, associando-se o envelhecimento gradual à diminuição da aptidão física (Alves et al, 2004; Rocha, 2012). À medida que a pessoa vai envelhecendo há uma maior predisposição para se tornar menos ativa, diminuindo assim a sua capacidade funcional e consequente a autonomia, tornando-se cada vez mais dependente de outros para a realização de atividades da vida diária, como tomar banho, vestir-se, entre outras (Caporicci et al., 2011). Sabe-se que a diminuição da tolerância ao esforço físico faz com que haja uma decadência da capacidade física do idoso, tornando a linha de passagem para a dependência (Tribess et al., 2005).
Por outro lado, a diminuição de características como força, agilidade, flexibilidade e coordenação, assim como, os fatores genéticos, o estilo de vida e as doenças crónicas, fazem com que o idoso tenha maiores dificuldades, requerendo um maior esforço na realização das tarefas diárias, levando a uma diminuição da capacidade funcional e autonomia (Rocha, 2012).
É de realçar ainda, que o acompanhamento da capacidade funcional e da aptidão física dos idosos, é fundamental para combater a dependência do idoso e promover um estilo de vida ativo e saudável (Fonseca, et al., 2010).
3. Envelhecimento Ativo
O envelhecimento da população é um dos maiores triunfos da humanidade, representando, no entanto, um sério desafio para a sociedade.
Segundo a World Health Organization (WHO), torna-se necessário implementar políticas e programas de “Envelhecimento Ativo” baseados nos direitos, necessidades, preferências e habilidades das pessoas idosas, de forma a facultar à população idosa uma vida mais ativa, saudável e participativa, proporcionando assim uma melhor qualidade de vida desses indivíduos e familiares (WHO, 2005).! O envelhecimento ativo é definido como o processo de otimização de oportunidade para a saúde, participação e segurança com o objetivo de aumentar a expectativa de vida saudável e de qualidade de vida durante o envelhecimento, sendo necessária a adoção de estilos de vida saudáveis, onde se incluem a prática de atividade física e a participação em atividades de índole sociocultural, económica e espiritual ou cívica (Tavares, 2010).
Desta forma, a sociedade está a mudar comportamentos e atitudes, a formar profissionais de saúde e de outras áreas envolvidos na intervenção social e a adaptar os serviços de saúde e de apoio social às novas realidades sociais e familiares que acompanham o envelhecimento (Cerqueira, 2010; Gabriel et al., 2004; Machado, 2003).
Definição da Qualidade de Vida
A definição de qualidade de vida ainda hoje não é consensual. O grupo WHOQOL (World Health Organization Quality of Life) defende a qualidade de vida como um conceito que abrange vários fatores, como: a saúde do indivíduo, o seu estado psicológico, o nível de independência, as relações sociais, as crenças e o meio onde se insere (Group, 1998). Ou seja, a qualidade de vida é um termo multidimensional que envolve indicadores subjetivos e objetivos, desde aspectos biológico-funcionais, psicológicos, até aos socioculturais (Braga et al., 2011; Ferraz et al., 1997). A “satisfação com a vida” ou “bem-estar social” são conceitos que marcam a designação de qualidade de vida (Tavares, 2010).
A Organização Mundial de Saúde (1995) define qualidade de vida como “a perceção do indivíduo sobre a sua posição na vida, no contexto da cultura e dos sistemas de valores nos quais ele vive, e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações” (Balduino et al., 2009, p. 33).
A combinação de agentes e condições que moldam e diferenciam o dia-a-dia do indivíduo, levam-no a ter uma perceção muito própria acerca da qualidade de vida. Fatores como o estado de saúde, longevidade, satisfação no trabalho, situação económica, relações pessoais, lazer, disposição, prazer e até espiritualidade, definem a qualidade de vida do indivíduo. Ou seja, a qualidade de vida está intimamente relacionada com a condição de vida e estilo de vida, destacando-se neste último, a influência dos hábitos alimentares, do stress, das relações sociais e da prática de atividade física regular (Group, 1998; Tavares, 2010). Quando associada à saúde, a qualidade de vida é definida de acordo com a avaliação da saúde física e psicológica do indivíduo, assim como, da forma como se sente consigo próprio, com a sociedade e com o meio que o rodeia (Tavares, 2010).
Um envelhecimento associado a uma boa qualidade de vida requer uma menor predisposição para a doença, manutenção das funções físicas e cognitivas, estilo de vida saudável, relacionamentos interpessoais e uma vida ativa e saudável (Braga et al., 2011).
Atividade Física
Tendo em conta o aumento da população idosa, e todas as alterações a que o envelhecimento conduz e que afetam a funcionalidade, mobilidade e saúde, colocando em causa a sua autonomia nas suas atividades diárias e, consequentemente, diminuindo a sua qualidade de vida (Alves et al., 2004; Rocha, 2012), torna-se fundamental perceber a importância de uma vida ativa e da prática regular de atividade física no idoso sem, no entanto, esquecer as necessidades específicas de cada um.
Alguns autores defendem que hábitos como uma alimentação saudável e a prática regular de atividade física são elementos fundamentais para atenuar a degeneração provocada pelo envelhecimento dentro dos vários domínios físico, psicológico e social, combatendo, desta forma, o sedentarismo, considerado um problema grave limitante das capacidades funcionais do idoso (Mantovani, 2007b; Rocha, 2012). A prática de exercício físico, além de combater o sedentarismo, contribui de maneira significativa para a manutenção da aptidão física do idoso, da sua saúde e das suas capacidades funcionais (Mantovani, 2007a).
Cada vez mais, a atividade física assume um papel fundamental na terapia do síndrome de imobilidade, revertendo a diminuição da aptidão funcional e atividade motora que se instalam de forma progressiva (Argento, 2010).
Definição de Atividade Física e os seus Benefícios
Caspersen et al. (1985) definiram atividade física como todo e qualquer movimento corporal produzido pelo músculo esquelético, de que resulta dispêndio de energia acima dos níveis de repouso (Rocha, 2012; Tavares, 2010). Esta definição é válida para uma caminhada, dança, atividades desportivas coletivas ou individuais realizadas em casa ou não (Tavares, 2010). Podem distinguir-se dois tipos de atividade física, a primeira como estilo de vida e que mantém a pessoa ativa no dia-a-dia, a segunda como forma de melhorar a capacidade física a partir de programas específicos de exercícios (Tavares, 2010).
Sabe-se que a atividade física abrange um amplo leque de benefícios, quer biológicos, quer psicológicos e sociais (Mantovani, 2007a). Vários autores defendem a grande diversidade de benefícios associados à prática de atividade física. São eles, o aumento da longevidade, flexibilidade, funcionalidade e independência; manutenção da resistência óssea e bem-estar; melhoria no sono; controlo de peso; diminuição de doenças cardiovasculares e risco de fraturas; a diminuição do risco de depressão e demência (Chodzko-Zajko et al., 2009; Tavares, 2010). Por outro lado, a atividade física promove a reintegração social do idoso e melhora o seu bem-estar geral, diminuindo a morbilidade e mortalidade. Para além disso, sabe-se que as contra indicações para a sua prática são muito poucas, quando realizada de forma consciente e adequada a cada indivíduo (Mantovani, 2007a; Rocha, 2012).
Depressão na Atividade Física
O fato do paciente com a depressão permanecer no leito por muito tempo, sem praticar atividade física, traz prejuízos acentuados à saúde geral, particularmente no idoso. Do ponto de vista biológico, a não mobilidade física compromete a atividade pulmonar e isto leva ao acúmulo de secreções nas vias respiratórias, predispondo o idoso a desenvolver pneumonias bacterianas. A permanência excessiva no leito, somada à lentificação psicomotora que a depressão provoca, com freqüência desmotiva o idoso andar ou praticar exercícios físicos, e isto leva ao descontrole da pressão arterial com agravamento do quadro hipertensivo, além do comprometimento da circulação periférica, da perfusão cerebral e do próprio funcionamento cardíaco. artrose e outros distúrbios articulares também se agravam devido à falta de atividade física do idoso deprimido. Segundo Cooper (1982), o exercício físico, em particular o chamado aeróbio, realizado com intensidade moderada e longa duração (a partir de 30 minutos) propicia alívio do estresse ou tensão, devido a um aumento da taxa de um conjunto de hormônios denominados endorfinas que agem sobre o sistema nervoso, reduzindo o impacto estressor do ambiente e com isso pode prevenir ou reduzir transtornos depressivos, o que é comprovado por vários estudos. Em um estudo desenvolvido por Blumenthal et al. (1999), 156 idosos com desordem depressiva principal (maior ou igual a 13 na escala de Hamilton), com duração de 4 meses, foram divididos em três grupos: Grupo de Medicamento (GM) – cloridrato de sertralina (inibidor seletivo de recaptura de serotonina); Grupo de Exercício (GE) – a uma intensidade de 70 a 85% da freqüência cardíaca de reserva, com duração de 45 minutos (10 minutos de aquecimento; 30 minutos pedalando ou andando forçadamente ou correndo levemente; 5 minutos de volta à calma), com 3 sessões semanais, e Grupo Combinado – medicamento associado ao exercício. Ao final de 16 semanas, os três grupos apresentaram resultados semelhantes, com redução dos níveis de depressão, conquanto os pacientes sob medicamento tenham mostrado uma resposta inicial mais rápida. Os autores concluem que a atividade física regular deve ser considerada como uma alternativa não-farmacológica do tratamento do transtorno depressivo. Estes mesmos sujeitos foram acompanhados durante os seis meses seguintes, concluindo-se, ao final, que os sujeitos do GE apresentaram menores taxas de recaída que os sujeitos do GM, evidenciando que a terapia através da atividade física é viável e é associada com benefício terapêutico, especialmente se o exercício é mantido ao longo do tempo (Babyak et al., 2000). Miranda et al. (1996) também verificaram, em 27 idosos com média de idade de 70 anos, que 45 minutos de atividade física aeróbia diminuíram a tensão e a depressão. A atividade física regular deve ser considerada como uma alternativa não-farmacológica do tratamento do transtorno depressivo. O exercício físico apresenta, em relação ao tratamento medicamentoso, a vantagem de não apresentar efeitos colaterais indesejáveis, além de sua prática demandar, ao contrário da atitude relativamente passiva de tomar uma pílula, um maior comprometimento ativo por parte do paciente que pode resultar na melhoria da auto-estima e auto-confiança.
Outros mecanismos possíveis incluem aptidão funcional melhorada e aumento da auto-estima, como resultado de maiores níveis de atividade física; idosos fisicamente ativos podem interagir mais e estabelecer relações com aqueles que entram em contato em razão da própria atividade física (Strawbridge et al., 2002). Do ponto de vista da saúde mental, no idoso, a lentificação psicomotora e a não mobilidade física provocam baixa auto-estima, diminuição da sua participação na comunidade e a redução do círculo das relações sociais. Como conseqüência, são agravados o sofrimento psíquico, a sensação de incapacidade funcional e os sentimentos de isolamento e de solidão. Por outro lado, a atividade física tem sido associada a vários fatores favoráveis a uma melhor qualidade de vida no idoso, implementando melhor perfusão sanguínea sistêmica e, particularmente, cerebral. É evidente o benefício da atividade física para a redução dos níveis de hipertensão arterial, para a implementação da capacidade pulmonar e para prevenção de pneumopatias. Ganho de força muscular e de massa óssea e desempenho mais eficiente das articulações são outros benefícios que o idoso obtém com a prática regular e adequada de atividade física, constituindo-se em importante fator de prevenção de quedas e outros
acidentes, que também se apresentam como comorbidades em relação à depressão. Do ponto de vista mental, a atividade física, sobretudo quando praticada em grupo, eleva a autoestima do idoso, contribui para a implementação das relações psicossociais e para o reequilíbrio emocional. Capacidade de atenção concentrada, memória de curto prazo e desempenho dos processos executivos (planejamento de ações sequenciais logicamente estruturadas e capacidade de autocorreção das ações) constituem funções cognitivas imprescindíveis na vida cotidiana e que são estimuladas durante a prática de exercícios bem planejados. Embora haja necessidade de maior clareza quanto aos mecanismos neurobiológicos e psicológicos envolvidos na recuperação do paciente (Jagadheesan et al., 2002), admite-se que a atividade física regular contribua para a minimização do sofrimento psíquico causado pelo quadro depressivo (Mather et al., 2002).
Conclusão
O papel do exercício e da atividade física no tratamento da depressão direciona-se para duas vertentes: a depressão promove redução da prática de atividades físicas; a atividade física pode ser um coadjuvante na prevenção e no tratamento da depressão no idoso.
A depressão constitui condição mental nem sempre diagnosticada, o que favorece a cronificação desta enfermidade, agravando o sofrimento psíquico do paciente. Além disso, devido à íntima relação entre depressão e doenças clínicas gerais no idoso, a não identificação e o não tratamento da depressão contribuem para o agravamento de eventuais doenças orgânicas que acometem o paciente, aumentando a morbidade e o risco de morte. Por outro lado, a atividade física contribui de diferentes maneiras para melhorar a condição clínica geral e a condição mental do idoso deprimido. Do ponto de vista biológico, a atividade física tem sido associada a vários fatores favoráveis a uma melhor qualidade de vida no idoso, principalmente no que tange à perfusão sanguínea sistêmica e cerebral com redução dos níveis de hipertensão arterial; implementação da capacidade pulmonar com prevenção de pneumopatias; ganho de força muscular e de massa óssea com melhor desempenho das articulações. Em relação à condição mental, a atividade física eleva a auto-estima do idoso, contribui para a implementação das relações psicossociais e estimula as funções cognitivas, principalmente a capacidade de concentração e de memória. Ao fazer referência às contribuições da atividade física regular e planejada para a melhora do sofrimento psíquico do idoso com depressão, cabe mencionar a atividade física como um recurso preventivo de sintomas depressivos, constituindo um tema importante a ser aprofundado em nosso meio. Assim, diante da importância da atividade física na prevenção e tratamento da depressão e de outras doenças que acomentem especialmente as pessoas idosas, propõem-se que as administrações municipais, através da articulação entre as Secretarias de Esporte e de Saúde, organizem serviços que ofereçam atividade física para a população idosa, podendo utilizar como referência o trabalho que vem sendo desenvolvido pela UNESP – IB/Campus de Rio Claro, há treze anos, através do Programa de Atividade Física para Terceira Idade – PROFIT (Gobbi et al., 2002). Além das ações desenvolvidas pelo poder público, os Grupos de Terceira Idade, que têm se multiplicado por todo o país, podem incluir atividades físicas em suas programações, podendo recorrer ao apoio da Secretaria de Esportes e Lazer do respectivo município (Costa, 2002). Outra medida importante que pode ser desenvolvida pelos municípios é o estímulo e apoio à atividade física nas atividades cotidianas da população, através de um conjunto de ações destinadas a promover o deslocamento a pé (arborização e conservação das vias públicas, faixa de pedestre, eliminação de barreiras arquitetônicas, etc.) e o uso da bicicleta (construção de ciclovias, implantação de ciclofaixas, etc.), além de oferecer infra-estrutura adequada e suporte técnico para as pessoas que, espontaneamente, vêm desenvolvendo o hábito de fazer caminhadas, em diferentes pontos de nossas cidades.
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